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domingo: 18 de janeiro: o hábito é tudo, até no amor.

constância
o hábito é tudo, até no amor.

Não dá para começar a ler a edição sem antes escutar essa música aqui. ❤️
FIRST THINGS FIRST
Cotidiano

(Imagem: Pinterest)
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pr’eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pr’o jantar
E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder parar
Meio-dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor
Essa letra é da canção “Cotidiano”, composta por Chico Buarque em 1971 e lançada no álbum Construção — um dos discos mais importantes da música brasileira.
A música dialoga diretamente com o Brasil urbano dos anos 70, mas atravessa o tempo justamente porque fala de algo universal: amar dentro da repetição.
Na letra, o amor não aparece como explosão ou promessa grandiosa, mas como ritmo. Ele se constrói no que se repete, nos horários marcados, nos gestos quase automáticos.
“Todo dia” vira um refrão invisível: o amor acontece na insistência, não na surpresa.
Os beijos mudam de sabor — hortelã, café, feijão, paixão, pavor — como se o amor atravessasse o dia junto com o corpo e com a vida prática. O amor se adapta ao trabalho, à fome, ao sono, à exaustão.
De manhã, ele é fresco e funcional; ao longo do dia, vira sustento, cansaço, obrigação; à noite, mistura desejo e medo.
Indo contra aquele pensamento de que o amor verdadeiro chega como certeza, o eu lírico mostra que tem dúvidas — “meio-dia eu só penso em dizer não”.
Mas, mesmo oscilando entre o impulso de parar e a decisão de continuar, ele segue apostando naquele amor. Amar, aqui, não é escolha renovada a cada instante; é permanência. É ficar mesmo quando dá vontade de ir embora.
Seguindo essa ideia, há uma citação do livro Tudo é Rio que diz: “Eu e Antônio estamos casados há vinte e seis anos. Nem sempre é bom, nem sempre é ruim. Desconheço a balança que mede isso. É o que é, aceito, rejeito, mas não escolho mais tirar de mim esse amor entranhado, pertence a lugares em mim que não mando mais. Não fico tomando conta, podia ser assim, podia ser assado, medindo com régua o que falta. Não quero viver sem Antônio, me caso todos os dias com ele, acordo e caso, depois faço o café.”
Chico Buarque e Carla Madeira mostram que, mesmo quando o amor não é perfeito, ele não se desfaz. “Não é bom todo dia, mas é bom toda a vida.”
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(Imagem: Cidade de Deus)
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BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL
Você me ensinou a viver

(Imagem: VSCO)
Arthur sempre acreditou em planos. Estudo, disciplina e futuro organizado em etapas bem definidas. O amor, se viesse, viria depois… Mas aí ele conheceu Belle.
Primeiro, como um rosto familiar nos corredores da escola;
Depois, como um aceno tímido, até se tornar “um ponto de inflexão na sua vida.”
Bastou um elogio, enviado quase sem pretensão, para que o mundo começasse a se rearranjar.
O que nasceu entre eles não foi um grande gesto cinematográfico, mas algo mais raro: constância. Conversas diárias, encontros nos intervalos e um primeiro beijo escondido.
Arthur, que jurava não namorar antes da faculdade, começou a perder ônibus só para ganhar minutos ao lado dela. E ali, sem perceber, seus planos começaram a ser reescritos.
Belle ensinou Arthur a olhar, a perceber beleza onde antes ele via apenas rotina. Nos olhos castanhos que brilhavam ao sol, como versos de “Pela Luz dos Olhos Teus”;
No sorriso que tornava única qualquer cena, como a raposa de O Pequeno Príncipe explicaria;
Na trilha sonora que misturava Chico Buarque, bossa nova, Skank e silêncios confortáveis;
Nos filmes vistos juntos e avaliados no Letterboxd;
Nos domingos com cheiro de café, gosto de pão de queijo e o tempo passando devagar demais.
O amor deles era cotidiano — quase uma canção do Chico. Igreja de manhã, almoço compartilhado, um filme à tarde, corpos encaixados enquanto o dia terminava.
Nada de extraordinário, exceto pelo fato de que tudo se tornava extraordinário por ser vivido junto.
Arthur ama ficar abraçado com ela enquanto a tarde avança. Ama quando ela deita no seu peito e prepara tapioca e café. Ele ama fazer tudo sempre igual, desde que seja com ela.
Belle pinta girassóis, noites estreladas e campos de trigo — e faz Van Gogh parecer rascunho. É forte de um jeito silencioso, carrega histórias que não se anunciam. Tem um ótimo gosto para filmes e livros.
Entre museus, exposições de Van Gogh, Monet e longas conversas em mesas de restaurantes, Arthur entendeu que cultura também se constrói a dois — e que dividir um prato é uma forma de intimidade.
Ele também aprendeu com ela que amar é ser abrigo. Que ressignificar não é esquecer quem se foi, mas permitir-se ser outro.
Quatro anos depois, o amor deles segue simples, imenso e repleto de referências: trilogias imaginadas em Paris, como Before Sunrise; croissants que serão provados; músicas que os conectam; Snoopy, lua cheia e girassóis.
Um futuro sonhado com plantinhas, café passado, bons filmes e despedidas que deixarão de existir.
Desde que se conheceram, Arthur sabia: Belle não entrou só na sua vida — ela o ensinou a viver, a enxergar beleza nos detalhes e a entender que nenhum plano vale mais do que o presente compartilhado.
Ressignificar, afinal, é isso: amar alguém que muda a forma como o mundo é visto. Alguém que transforma os momentos mais banais em especiais. Alguém que se preocupa. Alguém que fica.
E assim, sem grandes efeitos especiais, Arthur e Belle construíram a mais bonita das histórias de amor: aquela que acontece todos os dias.
Ficou curioso para conhecer a Belle e o Arthur? Eles já apareceram no nosso Instagram. 🧸
ENQUETE DO THE STORIES
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87,45% de vocês (718 pessoas) disseram que, em um relacionamento saudável, os dois cedem.
Abaixo, uma resposta de destaque por opção:
→ (Os dois cedem) “Em um relacionamento saudável, ceder é um ato mútuo de cuidado, não de anulação. As diferenças existem, mas são atravessadas com diálogo, respeito e equilíbrio. Quando apenas um lado ceder sempre, o amor vira sacrifício. Relações verdadeiras acontecem quando dois inteiros escolhem se ajustar sem deixar de ser quem são.”
→ (Alguém sempre cede mais) “Meu namorado cede sempre! Vejo o quanto ele se doa na relação, o quanto se preocupa e se esforça para que possamos viver momentos inesquecíveis juntos. Eu, claro, retribuo, mas não na mesma intensidade. Aprendi a ceder quando é a minha vez de cuidar de nós.”
EXTRA
Gostar é uma besta desenfreada

(Imagem: Pinterest)
Cansei de quem gosta como se gostar fosse mais uma ferramenta de marketing. Gostar aos poucos, gostar analisando, gostar duas vezes por semana, gostar até as duas e dezoito. Cansei de gente que gosta como pensa que é certo gostar. Gostar é essa besta desenfreada mesmo. E não tem pensar. E arrepia o corpo inteiro, mas você não sabe se é defesa para recuar ou atacar. Eu eu gosto de você porque gostar não faz sentido.
Permita-se. Se você acha que no fundo mesmo, apesar de todas essas reuniões e palavras em inglês que só querem dizer que você não sabe o que está falando, o que importa é ter pra quem mostrar que saiu o arco-íris. Permita-se. Porque eu não quero que você tenha essa pressa ao ponto de ajudar com as próprias mãos. Eu quero que você sinta esse prazer que chega aos poucos. E mata tudo que há em volta. E explode os relógios. E chega aos poucos ainda que você ainda não saiba nem quem é pouco e nem quem é lento. Porque você morre. Se você prefere a vida quando se morre um pouco por alguém. Permita-se.
Eu não faço a menor idéia de como esperar você me querer. Porque se eu esperar, talvez eu não te queira mais.
Eu não queria ir embora e esperar o dia seguinte. Porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo. Se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum equilíbrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.
— Tati Bernardi
—
RODAPÉ
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