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reencontros
domingo: 04 de janeiro: "nem todo fim era fim. alguns eram só intervalo."

reencontros
“nem todo fim era fim. alguns eram só intervalo.”

Impossível ler essa edição sem antes escutar esta música. 🥹
FIRST THINGS FIRST
Velha infância

(Imagem: Getty Images)
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância
Seus olhos, meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só
A música “Velha Infância”, do grupo Tribalistas, é como um lugar onde o tempo desacelera. Nostálgica para muitos, a letra fala de um amor que não pesa, não exige performance nem tradução.
Um amor que simplesmente acontece — como respirar, como acordar pensando em alguém, como ir dormir com a presença do outro, mesmo quando ele não está ali.
Logo no início, o amor aparece como sonho, mas não é um sonho distante: é íntimo, cotidiano e que atravessa o dia inteiro.
Pensar no outro “desde o amanhecer até quando me deito” transforma o amor em hábito. Não é obsessão; é constância. É a ideia de que amar alguém é carregar essa pessoa nos pequenos silêncios do dia.
E quando a letra diz “a gente não se cansa de ser criança”, ela fala não da idade, mas de estado de espírito. Ser criança aqui é poder existir sem cálculo, sem medo do julgamento.
É rir alto, cantar errado e dançar sem saber os passos — e não sentir vergonha disso, porque o outro não observa, mas acompanha.
A velha infância, portanto, não é algo que ficou no passado, mas foi guardada com cuidado e reencontrada no amor.
Como se, ao estar com a pessoa amada, pudéssemos acessar uma versão de nós mesmos que o mundo adulto tentou silenciar: mais leve, curiosa e inteira.
A “velha infância” não ficou para trás; ela sobrevive onde existe afeto suficiente para que a gente baixe a guarda. Amar, nesse sentido, não é voltar no tempo, é deixar de precisar se esconder.
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Sunday’s Love 🌻

(Imagem: We Heart It)
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BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL
Amor de verão

(Imagem: VSCO)
Tudo começou na praia de Xangri-lá, no Rio Grande do Sul. Tracy e Augusto ainda eram crianças quando se conheceram na rua, durante o verão.
Faziam parte de uma pequena trupe inseparável: Augusto e o irmão, Tracy, a irmã dela, um primo e uma amiga que vinha de Igrejinha. Eventualmente, outros se juntavam, mas aquele núcleo era o mais unido.
Entre partidas de Cara a Cara e Banco Imobiliário, a amizade crescia sem esforço, como só acontece na infância.
Todo verão era marcado pela espera ansiosa da chegada de Dudi e Augusto, que vinham para a praia depois. Tracy lembra da expectativa, dos momentos em que se arrumavam para assistir ao futebol no fundo da casa deles.
Eram dias longos, cheios de risadas, descobertas e a sensação de que o mundo cabia naquele pedaço de areia.
Com a chegada da adolescência, porém, tudo mudou. A casa de praia foi vendida e, pouco a pouco, os encontros deixaram de existir. Apesar de todos morarem em Porto Alegre, era na praia que os laços se formavam.
Tracy chegou a escrever uma carta sugerindo um reencontro, mas nunca teve coragem de enviá-la. A vida seguiu.
Anos depois, em 2015, o passado resolveu bater à porta. A amiga de Igrejinha enviou uma mensagem no Facebook parabenizando Augusto, marcou todo mundo e propôs um reencontro da antiga turma da praia.
Ele estava se separando e voltando ao Brasil após período vivendo em Israel. Tracy também vivia um recomeço: estava divorciada e tinha um filho, assim como ele.
O encontro foi marcado para o fim de outubro. Coincidiu com um jantar de primos, e a irmã de Tracy sugeriu que ela levasse alguém.
Quando Tracy disse que não tinha ninguém, veio a sugestão: chamar o Augusto. Tracy resistiu, brincou que ele podia estar careca ou até ser um psicopata, mas, após uma garrafa de vinho, tomou coragem e mandou a mensagem.
A resposta inicial foi fria: “Vou ver e te aviso.” No dia seguinte, porém, ele confirmou que iria e perguntou o que levar.
Tracy sugeriu um vinho chileno e ainda se ofereceu para irem juntos, já que ele estava recém-chegado à cidade. Augusto recusou, dizendo que se virava sozinho. Mais um balde de água de fria.
No dia do encontro, Tracy se atrasou por causa de uma aula de dança. A irmã também demorou, e Augusto acabou chegando primeiro. O dono do apartamento precisou sair, deixando Augusto sozinho.
Quando Tracy finalmente chegou, foi ele quem abriu a porta. Um “oi” simples, olhos verdes arregalados — e tudo mudou. A conexão foi imediata.
Entre lembranças, conversas e risadas, quando os outros chegaram, os dois já estavam próximos e íntimos, como se o tempo nunca tivesse passado. O vinho ajudou, mas não foi o responsável: havia algo maior ali.
No fim da noite, Augusto ofereceu-se para levá-la em casa. Orgulhosa, Tracy recusou. Mas, na despedida, veio o beijo. E, como se o destino resolvesse assinar aquele momento, começou a chover. Eles nunca mais pararam de se beijar.
O 9 de outubro marcou o reencontro de duas almas que já se conheciam antes mesmo de entender o que era amor.
Vieram os cafés, as idas à praia, as gargalhadas, os vinhos e, claro, mais beijos. Em 2018, juntaram tudo: os gatos dela, os gatos dele, os filhos e os sonhos. Em 2021, durante uma viagem de carro pelo Brasil, Augusto a pediu em casamento.
No dia 5 de novembro de 2022, selaram a união cercados pelos amigos da praia — agora padrinhos —, amigos da vida e da família. A lua de mel não poderia ser em outro lugar: a praia, sempre ela.
Hoje, Tracy e Augusto são padrinhos da Olívia, filha daquele primo-amigo da praia. Colhem amoras no quintal de casa e sonham novos sonhos entre xícaras de café, taças de vinho ou uma boa cerveja artesanal.
Enfrentaram batalhas, dificuldades e imperfeições, como toda história real, mas seguem firmes, lembrando sempre a canção que marcou o início do namoro e que virou voto de casamento: “sinceramente você pode se abrir comigo”.
No último 9 de outubro, completaram-se dez anos desde o primeiro beijo — ainda com a mesma intensidade, carinho e amor.
É difícil duvidar do destino diante de uma história assim. Às vezes, o amor está do outro lado do mundo, apenas esperando o momento certo para voltar, brindar e ficar.
O amor existe — e Tracy e Augusto sabem disso. Todos os dias, quando se olham entre risos e sorrisos, têm a certeza de que foram feitos um para o outro.
Ela quer envelhecer ao lado dele, sorrir eternamente, reviver a velha infância, brincar e dançar. Porque o riso dela é mais feliz com Augusto, seu melhor amigo e seu grande amor.
Ficou curioso para conhecer Tracy e Augusto? Eles já apareceram no nosso Instagram. 🧸
ENQUETE DO THE STORIES

tradução: “eu com aquele garoto com quem sou ‘apenas amiga’”
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Abaixo, uma resposta de destaque por opção:
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→ (Amor) “Porque finalmente já me encontrei, entre meus vícios e virtudes. Estou pronta pra dividir a vida com a minha pessoa sem me perder.”
→ (Dinheiro) “Que não compra as outras haha, mas permite pagar o plano de saúde, traz a paz dos boletos pagos e, consequentemente, tempo e paciência para o amor.”
→ (Paz) “Acho que ter paz interior, me sentir completa e feliz comigo mesma, de maneira que o exterior não abale minha paz interior. Ultimamente, o que vem de fora tem afetado muito meu humor e meus sentimentos. Não quero isso para 2026.”
EXTRA
Você foi minha dança inesquecível

(Imagem: Pinterest)
Oi, Fulano. Tudo bem com você?
Nas últimas semanas, uma lembrança sua voltou de forma sutil — dessas que insistem em aparecer para lembrar que, entre tantos momentos da vida, houve um que valeu muito a pena viver. Senti vontade de te escrever não para mudar nossas histórias, mas para compartilhar algo que me acompanha em silêncio há alguns anos.
Não é uma confissão nem um pedido, muito menos uma tentativa de reescrever caminhos. É apenas uma lembrança bonita que guardo desde 2017, quando nos conhecemos na igreja e, após o culto, fomos dançar forró com João, Jéssica e você.
Você me tirou para dançar e, embora tenha sido breve, foi um momento singelo que me marcou profundamente. Seu jeito natural, respeitoso e confiante de conduzir a dança, como quem entende o ritmo e antecipa os passos da música, me surpreendeu. Havia ali uma delicadeza difícil de explicar — como se você soubesse exatamente para onde a música queria nos levar. Foi uma dança que ficou em mim, daquelas que continuam mesmo após a música acabar.
Pouco depois, você voltou ao Rio para se preparar para retornar a Viçosa e realizar o sonho de estudar na UFV. Quando voltou, um ano depois, fiquei feliz em ver esse sonho acontecendo. Desde então, mesmo distante, sempre te admirei: sua inteligência, dedicação, nobreza, fé e a amizade sincera com meu irmão Airton sempre disseram muito sobre quem você é.
Nunca abri meu coração pra você. Guardei tudo como quem guarda uma canção — ouvindo baixinho, só para si, para não estragar a delicadeza do sentimento. Segui minha vida: atualmente moro em Teresópolis, tenho um bom emprego e faço meu doutorado em astrofísica de forma remota. Gosto da cultura do Rio, que às vezes me lembra um certo carioca que conheci no interior de Minas.
Às vezes, ouço notícias suas: a graduação concluída, a mudança para o Centro-Oeste, a constância na igreja. Cada um seguiu seu caminho, mas há lembranças que não obedecem ao tempo nem à distância. Permanecem porque nasceram especiais.
Nas últimas semanas, tive a esperança de reencontrar-te no casamento do meu irmão. Era uma esperança simples, sem pretensões. Imaginei que, ao te ver, nos reconheceríamos naquele momento que guardo com tanto carinho. Mas você não pôde ir, e foi essa ausência que me levou a te escrever.
Não espero nada com essa carta. Não quero despertar sentimentos nem criar expectativas. Apenas acredito que certos momentos são especiais demais para morrerem sozinhos dentro da gente. Aquela dança é assim pra mim — uma melodia que o tempo não conseguiu apagar.
Dizem que a vida é uma festa que um dia termina. E, entre tantas músicas e passos, você foi a minha dança inesquecível.
Desejo, de coração, que você esteja bem, cercado de coisas boas e de pessoas que reconheçam o quanto você é especial. E, se um dia essa lembrança também passar por você, deixe a música tocar — nem que seja por um instante.
Com carinho,
Karol Ferreira
—
RODAPÉ
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